Meu amado príncipe, estamos entendidos, eu amo-te com uma razão e detesto-te por muitas razões mais.
Tu foste Alexandre, O Grande, quando todos os teus generais se apoderaram do território e dos tesouros conseguidos na tua enorme campanha, quando no grande Egipto dominado pelos persas se instalaram os Ptolomeus...E que grande e esbanjadora dinastia
inauguravam!...
Tu foste afinal o único verdadeiro deus imolado ao Poder dos insaciáveis. Aristóteles foi o grego chamado por teu pai para parte da tua educação, e que te disse o grego?...
O grego assalariado disse-te coisas que mais tarde seriam tidas por verdades indiscutíveis. Se a ti bastaram, como não bastariam a uma Europa afundada em trevas e superstição?
Aristóteles...Sua sabedoria foi até Paris, onde Tomás de Aquino bebeu toda a filosofia... Não se falava ainda de plágio, que longe se estava de conceitos protectores da criação humana...
Vens agora até mim como um menino sobredotado e bondoso, que tu também foste.
Pedes amor e tens amor para dar, e a pouco e pouco, em cada visita à Terra, tu resgatarás sem mágoa o teu verdadeiro perfil. Serás deveras grande pela tua postura na vida, tão jovem e já notória, sagaz, batalhadora, cheia de bons valores, onde a bondade se inscreve como a tua coroa de louros.
Dou duas voltas ao meu pequeno círculo e regresso a ti, admirável criatura. É preciso reparar nos bons, não deixar que os rebaixem, que os pisem, que os usem. Nossa atenção é
recíproca. Os olhos de muitos deuses nos cobrem, tu sacodes hoje seu excessivo zêlo, usando a mesma naturalidade com que enxugas o suor numa toalha limpa. Não tenho lágrimas, tenho apenas palavras...Onde há razão de amar as palavras nunca faltarão...
sexta-feira, 7 de setembro de 2007
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